Em abril de 2019, vi divulgações nas "redes sociais" sobre o Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre, FLISoL (link externo), um evento que ainda acontece em várias cidades pelo mundo. Naquela época, era usuário ativo (e ativista passivo) de redes livres e fiquei surpreso de não ver nenhuma referência ao evento nelas. O incômodo foi tão grande que, em apenas duas horas, fiz uma pesquisa e organizei uma apresentação chamada Alternativas livres para “redes sociais” proprietárias... (link externo), e me inscrevi para apresentar em Recife; mesmo sabendo que talvez a apresentação não estivesse tão boa quanto eu gostaria.

Eu pensei: se não fizer, ninguém faz. Então fiz. Eu usava Diaspora, Mastodon, Identi.ca, GNU Social, Pixelfed, NotABug, PeerTube, Riot.im, Scuttlebot e Twister, todas essas redes livres que provavelmente você nunca ouviu falar (ecosistema chamado de Fediverso), algumas inexistentes hoje e, como disse antes e nunca me repito, só me inscrevi de última hora, porque achei absurdo não ver a divulgação de um evento de Software Livre em nenhuma rede livre (como pode?).

No dia do evento, lembro que apenas duas apresentações, além da minha, tiveram a ver realmente com o tema Software Livre, e também da curiosidade das pessoas ao descobrirem as redes que apresentei. No final do dia, dei uma entrevista numa live do, ironia... Facebook, e nesse tempo, comecei a entender a ideia Lock-in Effect...

Um ano antes, em 2018, algumas pessoas que seguia no extinto Twitter e que tinham canais no YouTube, reclamavam que iam desistir porque seus vídeos estavam sendo demonetizados por alegações de infrações de direitos autorais, segundo a plataforma. Lembro que tentava interagir com elas sugerindo criarem servidores no recém-lançado PeerTube e comunidades na Diaspora e no Mastodon, redes já conhecidas, argumentando que, pela qualidade do conteúdo que produziam, seus públicos os seguiriam onde quer que fossem (eu seguiria). Ninguém nunca me respondeu (mas quem era eu na fila do pão, risos).

Para alguém que tinha experiências de interações reais mais humanizadas na Diaspora e no Mastodon, isso me causou um grande sentimento de rejeição (risos). Então cometi meu segundo "twitticídio". Demorei para entender que o algoritmo já operava a pleno vapor, estimulando polêmicas e disputas diversas. Hoje, como bem sabemos, o antigo Twitter, agora X, comprado por um bilionário, é reduto de fascismo, racismo, machismo, incluindo um bot com um dos piores usos que se pode fazer da Inteligência Artificial: retirar de imagens as roupas de mulheres e crianças.

Por causa da invasão em massa dos refugiados do Twitter, desconectei-me do Fediverso e neste texto, Sobre zumbinismo digital... (link interno), detalho os motivos, mas em resumo, descobri que sou fraco para interações mediadas por algoritmos. Talvez por isso, atualmente o único local que visito com frequência é o Órbita (link externo), a acolhedora comunidade dos leitores do Manual do usuário (link externo), mediada pelo Rodrigo Ghedin, outro ser humano preocupado com essas questões.

Esse "arrudeio" todo para dizer que o LINUXtips, um dos canais de tecnologia de maior impacto positivo na vida de muitos aspirantes e profissionais da área (eu incluso), está com um projeto audacioso e promissor de mutirão para a criação de uma rede social livre, aberta e brasileira.

O Jeferson Fernando (uma daquelas pessoas que me ignorou no Twitter, risos) além de educador de tecnologia com letramento digital e consciência social, é na realidade, uma das manifestações da solidariedade na Terra. E como ele tem um histórico de mobilização em favor do próximo, acredito muito no sucesso desse projeto, o qual também me inscrevi para ajudar no que puder. Para saber mais, acesse: o bonde (link externo), de repente você se interessa em participar também.

Além do mais, bem sabemos que as redes proprietárias não vão durar...

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